Secret War in Portugal [1939-1945]
For SOE [British Special Operation Executive] 24 Land was the code name for Portugal

Bill Bristow: My father Spy

O livro My Father the Spy chegou agora: apresenta-se como sendo memórias sobre o pai do autor, quando é, afinal, uma reedição da obra de seu pai, Desmond Bristow,  com quem me encontrei em 1993, em Escola Vieja, Periana, Málaga, Espanha, como relatei aqui. Para além do texto original daquelas memórias, publicadas em 1993 sob o título A Game of Moles [edição em castelhano do mesmo ano, sob o título Juego de Topos] há  mais uns acrescentos que o texto inicialmente publicado, por razões de segurança, não continha, e breves notas fruto do conhecimento pessoal que o filho foi coleccionando sobre quem era afinal o seu progenitor.
Para encontrar o pai, eu viajara de propósito a Periana [Málaga, Espanha], depois de ter lido uma carta sua ao director do Daily Telegraph , a partir da qual consegui localizar no sul de Espanha concretamente o local da residência. A carta que então lhe escrevi foi buscada no correio por um vizinho alemão, que lha levou em mão ao local onde ambos residiam, Escola Vieja. Bem humorado, ironizaria que ao lê-la e ao ver o timbre "abogado Lisboa" [como se exprimiu em castelhano, língua em que era fluente pois a família tinha-se radicado em Espanha desde há muito, o pai engenheiro de minas], perguntou-se se, tendo estado aqui durante a guerra não seria agora em nome de um qualquer filho, entretanto perfilado, que eu lhe estaria a escrever.
"Derry", como era conhecido, tinha trabalhado no Departamento Ibérico da Secção V do MI6, em Glenalmond, sob a supervisão de "Kim" Philby, ambos sob a direcção de Felix Cowgill. Tivemos então uma longa conversa lembrando os tempos em que tinha sido o agente Tapwater, chefe de estação em Madrid e Lisboa, com actuação em Gibraltar.
Na ocasião referiu-me que um dos filhos, "Bill", estava ligado à cinematografia, nos Estados Unidos da América, trabalhando então numa equipa de filmagem de Steven Spielberg.
Soube mais tarde  que Bill Bristow [nascido em 1955] estava a preparar um livro sobre o seu antecessor a a actuação do mesmo aos serviços secretos. Publicou-o em 2012. Eis o que estou a ler. 
Conclui pela leitura que, mesmo para a família, quem trabalha no mundo das sombras guarda segredo, além de que a idade faz estragos à memória. Já quando do encontro com seu pai, sua mãe, Betty Weaver, me deu conta que muitos dos livros que o marido publicara se deviam ao que ela se conseguia lembrar dessa vida em comum, que começou era o marido então tenente no British Intelligence Corps.
O tom da escrita é de espanto ante o que soube pelo livro e que em casa não se falava. Mas há nele, visto com minúcia, apontamentos curiosos.
O capítulo essencial sobre Portugal tem a ver com o encontro  secreto de  Iona ["Klop"] Ustinov, pai do actor Peter Ustinov, agente do MI5, com uma individualidade alemã e com a localização do agente catalão Juan Pujol Garcia que, sob a coordenação de Thomas Harris operaria no quadro da rede do XX Committee [U Board] como agente Garbo.
Obra em aberto, como todas sobre este tema, há nesta uma alusão que é um repto ao prosseguimento da investigação: «My Father always went on about the Spanish and Portugueses collaborators who quietly, secretly and invariably dangerously, helped the Allied cause amd received no thanks or commendations. They were, and are, amongst all those hundreds of unsung heroes from the never ending stories from World War 2».


Afonso Eurico Ribeiro Casais


Afonso Eurico Ribeiro Casais [1898-1957, Vouzela/Viseu].

Oficial do Exército

Inicia a carreira de oficial (1919);
Tenente (1923);
Capitão (1939);
Major (1947);
Tenente-coronel (1953);
Coronel (1955);
Comandante de Caçadores n.º 5 (1947-1955);
Comandante do Batalhão de Caçadores da Índia (1954-1955).

Foi o primeiro ajudante de campo de Santos Costa (1936)

Participa na reorganização da Legião Portuguesa de Casimiro Teles, enquanto subchefe do Estado-Maior do Comando Geral da Legião Portuguesa (1939)

Contacta, em nome da Legião Portuguesa, John Beevor, oferecendo os préstimos daquela milícia para a rede do SOE [rede Shell] no caso de um avanço alemão sobre a Península Ibérica que significasse uma invasão de Portugal, como descrevi no meu livro Traição a Salazar [ver aqui]

Deputado na IV e V legislatura [1945-1953]

Greene, Philby & Orson Welles: Vienna red reseau


Harold Russel "Kim" Philby worked with Graham Greene in MI6 [SIS].
Graham Greene wrote The Third Man, published in 1950. In order to gather information for the novel he visited Vienna in February 1948, where he contacted, via Elizabeth Susan Douglas-Scott-Montagu [obituary here], Peter Smolka [latter Smollett], a good friend of Philby, agent of the British intelligence as Philby and a soviet mole also.
I just returned from Vienna, were I visited The Third Man Museum [see the link here for the site] and brought from there a booklet concerning Post War Vienna. The magnificent museum is dedicated to both Greene's novel and Orson Welles film, an initiative of Gerhard Strassgschwandtner and Karin Höfler, without sponsors or subsidies.


There I found an article by John Beauclerk where he states that Greene's source about the sewer of Vienna, where the plot has one of its more dramatic moments, was not, as Greene's  try to convince readers of the novel, his father, Colonel Charles Frederick Aubrey de Vere Beauclerk [later the 13th Duke of St. Albans, married with Suzanne Fesq, obituary here], but probably "Kim" Philby himself, who had been in the city during 1934 working with the communists. 


Reason for that? According with Jon Beauclerk, the purpose was to hide Philpy's cover as a secret agent. Moreover he adds: «the film is Greene's way of dealing with the moral ambiguity of his relation with Kim Philby».

Oswald von Hoyningen-Huene


Oswald von Hoyningen-Huene, German Ambassador [Lisboa, 1934/1944]

1945: Portugueses presos em Inglaterra


A 12 de Setembro de 1945 o Foreign Office comunicava à Embaixada de Portugal em Londres [Palmela] a lista de cidadãos portugueses que «se encontravam presos como agentes do inimigo» e que, por isso, tencionavam deportar:

1 Ernesto Simões +
2 Gustavo de Freitas Ferraz +
3 José Lourenço Moreira +
4 Manuel Mesquita dos Santos +
5 Manuel Dias dos Santos +
6 [Artur] Viana dos Santos +
7 Victor Jorge Ravazine Gonçalves da Silva

Recebida a comunicação o MNE reportou o assunto à PVDE a 14 do mesmo mês.

Sobre Manoel [grafia da época] Mesquita dos Santos escrevi aqui.

Confrontando a lista do Camp 020 [campo de internamento e interrogatório, Latchmere House] verifica-se que a 14 de Setembro de 1945 estavam detidos 9 portugueses. 

Assinalei com uma cruz acima aqueles cujo processo está descrito nominalmente no relatório oficial. Nota-se que Gonçalves da Silva é nele omisso [o que é interessante]. E constata-se que quer Rogério Magalhães Peixoto de Menezes, quer o agente que controlava Artur Viana dos Santos, de que se conhece apenas o nome Caldeira, estão omissos. Quanto ao primeiro, no livro que escrevi sobre a sua biografia [ver uma referência aqui] expliquei a razão da não menção: é que o mesmo, tendo visto comutar a pena, por graça concedida pelo Rei Jorge VI, mediante a intermediação do Governo de Lisboa, era dado oficialmente como não existente e, por isso, mencionado na lista que o Secretário do Interior britânico leu na Câmara dos Comuns, nesse mesmo ano, onde constavam os que haviam sido condenados à pena de morte e executados.

Charles de Salis: obituary from the Times of London


As I wrote here in this blog I met him in his residence. Today it happened to read the obituary.

From The Times
March 26, 2007

Charles de Salis

Linguist, teacher and translator who served with distinction as an intelligence officer during the war and afterwards [January 30, 1911 - February 27, 2007] Charles de Salis's introduction to the world of intelligence was characteristically opaque. One afternoon in the autumn of 1941, after a cursory interview and medical examination at 54 Broadway, he was told: "You must take the Yoicks bus at 6 o'clock". 
Yoicks turned out to be a suburban villa in St Albans, used as a hostel by secretaries working for the intelligence services. The next day he went to Glenalmond, a larger house the other side of the town, where he met two men who had earlier interviewed him at the War Office. One of them was Kim Philby.

De Salis's task, under Philby's supervision, was to assemble a detailed account of Axis intelligence activities in Portugal, which were considerable. In this he was aided by agents on the ground, by intercepts of German signal traffic from Bletchley Park, and by the novelist Graham Greene, his 
immediate understudy. So effective was this combination that by April 1943 SIS was able to compile a comprehensive list of German agents and their controllers, which was handed to the Portuguese 
dictator Antonio Salazar. By then Salazar realised he had backed the wrong horse and was looking for ways of distancing himself from the Axis powers. The Germans were expelled and their Portuguese agents arrested. Years later, de Salis saw a version of this list, from Portuguese archives, with detailed annotations in Salazar's hand.

But for the war, Charles de Salis would never have become an intelligence officer. Brought up in Maidstone, Kent, and educated at Maidstone Grammar School, he had gone up to University College, Oxford, in 1929 to read modern languages - French and Spanish - with the aim of becoming a teacher. There, one of his tutors was the eccentric "Colonel" George Kolkhorst, who wore a sugar cube round his neck "to sweeten conversation". Kolkhorst did de Salis a backhanded favour, awarding him a scholarship for a year at Madrid University, a beneficence only slightly marred by its manner of delivery. "I offered it to Hilton," the colonel said, "but the silly fool turned it down."

In Madrid de Salis mixed with some remarkable people, including the poet Federico GarcÍa Lorca, and cemented his love of Spain and Spanish literature. It was his knowledge of Spanish that attracted the attention of the War Office in 1941 when he was an officer in the Intelligence Corps.

At Glenalmond he enjoyed Philby's company. While the enemy was Germany, Philby's secret life as a Soviet agent caused no special difficulties. In August 1943 de Salis was posted to Lisbon, under cover as a passport officer. Among others serving there was "Klop" Ustinov, father of Peter, who proved adept at "turning" German agents. 

One of SIS's double agents in Lisbon was Otto John, head of Lufthansa. He came under suspicion from the Gestapo for involvement in the July plot against Hitler and was about to be arrested when de Salis and a colleague managed to hide him and smuggle him away to Gibraltar. John later became head of the West German security service but in 1954 defected (or was kidnapped, as he claimed) to the East - and then defected back again.

Less successful was de Salis's attempt to save Johnny Jebson, an officer of the Abwehr who worked for SIS as a double agent and was "run" by de Salis. When the Nazi security services, the SD, took over the Abwehr, suspicion fell on Jebson. Decrypts from Bletchley Park revealed he was about to be kidnapped.

De Salis should have been informed at once of the great risk his agent ran, but such was the sensitivity of Bletchley material that the telegram sent to de Salis was deliberately gnomic. "Tell Artist (Jebson's pseudonym) to be careful," it said.

De Salis passed on the message. "Am I not always careful?" retorted Jebson. He was later kidnapped, returned to Germany and liquidated. De Salis never forgave the officer who drafted the telegram.

When de Salis was posted back to London in November 1944, the target had changed. Soviet communism and the KGB had taken over from the German intelligence services. Now Philby's double life began in earnest.

One incident seemed to de Salis to be significant but only in retrospect. A telegram from Cairo indicated a would-be defector from the Soviet Embassy there. Prompt action was needed, but Philby, uncharacteristically, did nothing for 24 hours. Then a second telegram arrived: the man had been put on a plane back to Moscow. A valuable defector, at a time when they were almost unknown, was lost.

De Salis was subsequently posted to Paris, where he gathered material on the French Communist Party, to Copenhagen, and finally, in 1960, to Rio de Janeiro. He took early retirement from the service in 1966 to pursue his love of teaching languages for ten years at Ashford Grammar School.

He lived in Appledore, Kent, and later in Rye, to all outward appearance a donnish former diplomat. He was a modest aesthete, an amusing raconteur and mimic, a generous host to his many friends, in step and loved by all generations.

Asked once by an Abstract artist what he thought of his work, he deftly avoided comment by saying he was "a child of the Enlightenment".

He wrote poetry and translated works of the Spanish, French and Portuguese writers he most admired. As recently as 2005, when de Salis was 94, a judge in The Times Stephen Spender Prize for poetry translation commended his translation of The Song of Roland.

De Salis married in 1946 Katherine Gange, who had been Philby's secretary, but she died just six months later as a result of an operation. In 1948 he married Mary Young, who died in 2001.

Charles de Salis, intelligence officer, linguist and schoolmaster, was born on January 30, 1911. He died on February 27, 2007, aged 96

Sonia Delaunay: a guerra secreta em Portugal

No panorama da pintura europeia, o casal Delaunay é um nome de referência. A sua biografia tem a ver com Portugal. Aqui viveram momentos fundamentais da sua vida artística. Foi no nosso país e por via da luminosidade invulgar do mesmo, que o cromatismo típico da sua linguagem pictórica ganhou individualidade e intensidade. Mas foi aqui que se viram envolvidos numa história de espionagem, precisamente por causa da sua invulgar pintura. Um dia talvez a história dê livro. Assim eu tenha tempo. Publica-se aqui um texto que surgiu originariamente na revista on line Athena. Ver o original aqui.



«Casal de artistas, as suas biografias misturar-se-iam numa paleta de estilos e de vivências. Toda a sua vida será passada no estrangeiro; será, tal como seu marido, uma das muitas expatriadas que trazem a alma russa a marcar a sua condição de emigrante.

Tratar da sua biografia é abordar de modo indissociável a de Robert. Mas numa vida há sempre o reduto inexpugnável da individualidade, aquilo que sobeja a uma ligação conjugal ou mesmo familiar.

No caso de Sonia a primeira parte da sua vida decorre sob o signo da desagregação do lar que lhe deu origem.

Fruto de um casamento atribulado, de que resultam dificuldades de relacionamento com a mãe, Sonia, com cinco anos de idade, muda-se para São Petersburgo, onde passará parte da sua infância, sob os cuidados de um tio materno, advogado, do qual adopta o apelido Terk.

O ambiente cosmopolita da cidade não pode deixar de a influenciar, como, afinal, a toda uma pleiâde de jovens russos, que serão a élite cultural da sua geração.

Surge então a decisiva vocação para a pintura e para as artes decorativas em geral, encorajada por Max Libermann, amigo da família, pintor expressionista que faleceria em Berlim em 1935.

Sonia não ficará, no entanto, confinada à sua terra de origem. A apetência pelo estrangeiro toma conta de si, uma ânsia de cosmopolitismo está presente em toda a vida cultural da capital da Rússia czarista.

Em 1903 estuda já na Alemanha, em Karlsruhe, sob a direcção de Schmidt-Reutter.

Mas haveria de ser Paris a cidade que a atrairia, como a tantos outros da sua geração.

Em 1905 desloca-se para a capital francesa onde conhece o crítico artístico Wilhelm Uhde, com quem contrai casamento em 1909 e de quem se divorciará em 1910. Frequentava então a Academia La Palette. Só que a sua personalidade acabaria por se impor na comunidade artística russa expatriada.

Familiarizada com os meios cubistas, serviu de elemento de ligação aos artistas russos que procuravam estudar este movimento. Um dos casos paradigmáticos desse seu relacionamento é com o pintor russo Yakulov.

A sua sentimentalidade acabaria, porém, por intrometer-se com a sua carreira artística.

Nunca se sabe até que ponto os encontros e desencontros amorosos marcam uma vida, geram um génio, reforçando-lhe o ânimo ou destroem uma promessa, liquidando-lhe o entusiasmo.

É que Sonia conhece, entretanto, Robert Delaunay, que por essa altura havia optado a tempo inteiro pela pintura e pelo desenho.

A sua ligação surge na relação artística, desenvolve-se no campo dos afectos.

Casam-se em 1911 e dessa união surge um filho, baptizado como Charles. Vivem então na Rue des Grands Augustins.

Robert é uma personagem fulgurante. Apresentado por Elizabeth Epstein ao círculo «Blaue Reiter» de Munich, a convite de Kandinsky, expõe ali o seu quadro «Tour Eiffel» [que será destruído em 1945]. A sua pintura, representativa então do cubismo, escandaliza. Os meios artísticos olham-no com expectativa.

Centrados no meio artístico, os Delaunay levam uma vida social intensa.

Em 1912 o casal conhece então Guillaume Apollinaire, que vive em sua casa, e o pintor português Amadeo de Souza-Cardoso, encontro que vem a ser decisivo na sua passagem por Portugal.

Cardoso, oriundo de Manhufe, uma localidade na zona de Amarante, encontrava-se em Paris desde os dezanove anos, no âmbito da sua formação artística a que se aplicava com denonodo. Amigo de Amadeo Modigliani, inspira-se largamente no traço deste.

Graças ao relacionamento com os Delaunay, Amadeo, então figura em ascensão, reforça os seus conhecimentos no «milieu» artístico parisiense.

A influência do casal acaba por marcar de modo indelével a sua pintura.

Sonia levava então a cabo os primeiros trabalhos de uma expressão artística a que chamará de «arte simultânea». Inicia-se no desenho de roupa.

Ilustrara nesse ano o poema de Blaise Cendrars «La prose du Transsibéiren et le petit Jehanne de France».

Fruto do seu conhecimento e do intercâmbio artístico, em 1913 os Delaunay e Amadeo expõem em Berlim, no Salão de Outono da prestigiada galeria «Der Sturm», propriedade de Herwarth Walden.

Ainda nesse ano Souza-Cardoso expõe a sua obra nos Estados Unidos da América, onde recolhe largo sucesso, que ainda hoje se simboliza.

No domínio das artes, os Delaunay são já uma referência, projectando uma técnica e definindo um critério que outros seguirão. Paul Klee assume então a influência artística do casal.

Chega, entretanto, o ano de 1914, o fatídico ano da Primeira Grande Guerra.

Nesse Verão, após terem exposto no salão de independentes «Les Prismes Électriques» [hoje Museu de Arte Moderna de Paris], os Delaunay, acompanhados do pintor mexicano Zagara, deslocam-se para Espanha, em férias, ficando a viver em Fontarrabía.

Com o advento da guerra o casal decide permanecer em Espanha, mudando-se embora para Madrid.

Charles está gravemente doente, com febre tifoide, doença então mortífera.

É, porém, curta a permanência em Espanha.

No ano seguinte, um inesperado evento surge nas suas vidas: leem num jornal local um anúncio, gabando as belezas turísticas portuguesas.

Animado com o que leram, os Delaunay viajam até Lisboa.

O conselho de Amadeo Souza-Cardoso revelou-se decisivo. Amigo do seu País, o pintor português recomenda-lhes que viajem até cá.

Para os Delaunay, Portugal é uma revelação: o ambiente aqui parece fervilhar de espectaculares acontecimentos.

Em Fevereiro de 1915 surgira, sob a direcção de Luis Montalvor, a «Orfeu», com a capa de José Pacheco e a colaboração, entre tantos, de Santa Rita, pintor do fantástico, e de Fernando Pessoa, escriturário e poeta sombrio e de Álvaro de Campos, o seu heterónimo. Editor da publicação: António Ferro, que mais tarde, à testa do Secretariado Nacional de Propaganda Nacional, traria ao salazarismo o contributo desse escol da inteligência nacional.

Na arte, os movimentos e as escolas florescem então como cogumelos: cubismo, futurismo, modernismo, enfim, a vanguarda!

Os Delaunay rapidamente se familiarizam com os expoentes modernistas de então.

Mas Lisboa é, porém, apenas um ponto da sua passagem por Portugal. Por sugestão de Eduardo Viana, optam por residirem em Vila do Conde, lugar para eles idílico, em cuja Rua Bento de Freitas, nº 7, a antiga Rua dos Banhos, encontram uma casa aprazível, numa ambiência inundada de luz e de mar, propícia à criação artística: inspirados no seu estilo artístico, cognominam a casa como a «Vila Simultânea». Ainda hoje ali se encontra, com uma lápide alusiva.



Casa “Vila Simultânea” em Vila do Conde


Lápide da casa de Vila do Conde

O azul do Atlântico fica em frente. Mas é a luz, a tonalidade da luminosidade solar que mais os impressiona. Robert Delaunay escreve a propósito: «les rayons de soleil plus humains, plus proches du Portugal»


Sonia no jardim, em Vila do Conde

É nesse local que pintam com denodo. Trabalham arduamente no jardim, entre plantas exuberantes e passeiam-se à noite ao luar.

Cuidadosos com a técnica, fabricam eles próprios as tintas que usam, visando o maior tempo de conservação dos quadros. Amistosos, enviam para o próprio Amadeo o produto do seu fabrico artesanal.

É aqui que Sonia se entusiasma pela técnica da pintura a cera, no que contagia o próprio Eduardo Viana, companhia constante no local. Muitos dos seus quadros deste período evidenciam a ascendência da pintura dos Delaunay.

Amadeo, nutre profunda amizade por eles, visitando-os amiúde, a partir da sua casa em Manhufe, onde se fixará, até à sua morte em Espinho em 1918. Sam Halpert , velho amigo de Robert, fica até 1916.

No Natal desse ano, os Delaunay estão como em casa.

Amadeo surge-lhes com um bolo, evidência de uma amizade. Sonia retribui, confeccionando para a mulher deste, Lucie Pecetto, um colar «simultâneo».

Imersos numa ambiência estimulante, a produção sucede a ritmo infrene.

Os seus quadros têm grandes dimensões, as telas são pintadas em partes e cozidas para formar o conjunto. Como forma de resolução do problema, utilizam a técnica renascentista de integrar as linhas de separação dos pedaços de tela nas linhas de força do próprio quadro, o espectador não nota a diferença.

«Tem-se a impressão de viver num país de sonho», escreve Sonia numa das suas cartas, fascinada pela «luz exaltante de todas as cores» do país que lhe é dado observar. Congestionados pela natureza circundante, podem gabar-se de que ali «os nossos olhos vão até ao sol».

Inseridos amistosamente na comunidade da cultura portuguesa, o espírito gregário leva-os a implantar uma associação de artistas a que apõem o nome de «Corporation Nouvelle» [«Nova Corporação»], nela englobando os seus amigos portugueses, Amadeu Souza-Cardoso, Eduardo Viana, Almada Negreiros, e estendendo a filiação, numa relação de distância, a D. Rossine – uma pintora russa residente em Paris – e aos poetas Guillaume Apollinaire e Blaise Cendrars.

A influência francesa é então omnipresente nesse sector intelectual em ascensão.

Chega, entretanto, o fatídico mês de Abril de 1916. Robert tem de se deslocar a Vigo, para se sujeitar a uma junta de revisão, devido à sua condição de reformado militar. A mulher acompanha-o.

Mas tem de regressar a Portugal. Está longe de imaginar o que a espera: sem que de imediato se aperceba porquê «Madame é retida», como prontamente informa Sousa-Cardoso, em carta expedida para o marido, já instalado em Vigo.

A suspeita de espionagem acaba por surgir, penumbrosa demais para a sua alma de pintora da luz.

Todos os ingredientes ajudavam a compor este quadro.

Uma denúncia teria dado azo à detenção.

Os factores de dúvida acumulavam-se em torno de si.

Primeiro, a nacionalidade da denunciada, russa e como tal na ocasião originária de um país que havia feito um odioso acordo de paz com Berlim.

Depois, a sua vivência, esquiva e cosmopolita, estranha numa ambiência provinciana, susceptível de gerar a maldade dos rumores e da suspeição em relação ao que seriam os seus verdadeiros motivos e fins.

Além disso e sobretudo, a própria natureza e teor dos quadros que a artista pintava, nomeadamente os célebres «discos simultâneos», em que muitos viam a expressão típica de mensagens para os submarinos alemães que passavam ao largo.

Finalmente os contactos que o casal manteria com artistas alemães, entre os quais A. Macke, Franz Marc e Paul Klee.

Vítima de uma intriga, vê com mal contido espanto as autoridades portuguesas confiscarem-lhe o passaporte, para logo de seguida ser informada que a empregada doméstica, Beatriz Morais, havia sido presa na fronteira para Espanha.

Na sequência das investigações, conduzidas pela 2ª secção da Polícia Judiciária, o próprio Eduardo Viana é, por sua vez, igualmente detido, à ordem das autoridades administrativas e sob o pretexto das suas assíduas visitas a casa dos Delaunay. Sonia Delaunay, por determinação das autoridades é colocada sob o regime de residência fixa. Acusado de «traidor da Pátria» e de «conspirador», como se lamentaria numa carta de 14 de Abril, suportaria múltiplas humilhações no cárcere.

O pesadelo da situação mantém-se durante três semanas, durante as quais o alerta é passado a todo o grupo de Lisboa, que, na medida do possível a cada um move influências pessoais e políticas em favor do esclarecimento do caso.

Na «Brasileira» não se fala em outra coisa.

Amadeo desloca-se ao Porto para tentar intervir junto das autoridades no sentido de que esclareçam a situação. Em 20 de Abril de 1916 escreve a Robert Delaunay dando conta de que o responsável da referida denúncia anónima seria um empregado do Consulado de França.

As redacções dos jornais são postas ao corrente.

Finalmente verificada a natureza caluniosa da denúncia, sob a sibilina alegação de se ter tratado de uma «gaffe», os suspeitos são isentos de responsabilidades, mas estão crivados de rancor, a resistência moral enfraquecida por esta insólita e abstrusa situação.

Numa carta, que Paulo Ferreira arquivaria numa colectânea amigável saída em 1981, pela PUF, Eduardo Viana ainda acalentava esperanças, agora que o assunto estava nas mãos de um advogado, que Sonia fosse largamente indemnizada «par ce cochon de consul de France, l’ auteur de toute cette gaffe».

Viana é igualmente liberto, mas a prisão havia-o feito adoecer. Durante as buscas policiais alguns dos seus quadros haviam sido danificados.

A passagem do tempo fez esquecer o episódio e desinteressou os envolvidos de tentarem apurar quem seriam os responsáveis pelo evento.

Uns meses depois regressam a Portugal, para se fixarem em Valença do Minho.

Para que o seu regresso fosse possível tiveram intervenção o ministro das Finanças e o ministro do Interior.

A população mais ilustrada local saúda a sua presença.

Animados, reacende o seu enamoramento pelo país.

O Convento jesuíta local, proporciona-lhes uma sala para que possam trabalhar com sossego e o mínimo de condições de conforto.

A Santa Casa da Misericórdia local encomenda-lhes um painel em azulejos para o Asilo Fonseca. Os Delaunay pintam-no, dando origem ao quadro «Hommage ai Donateur».

A sua produção recrudesce.

Os Delaunay ficarão em Portugal até ao princípio de 1917.

Os últimos meses de vida em Portugal passam-nos no Asilo Fonseca em Valença, para o qual pintam um azulejo «L’hommage au donateur».

Depois disso residirão em Espanha, até 1920. Um ano depois de terem partido, morre Amadeo, com trinta e um anos de idade.

Nesse ano a Revolução soviética priva-os dos bens e rendimentos que tinham na sua pátria de origem.

Confinados a terem de permanecer em Espanha, Sonia trabalha em decoração de interiores e em desenhos de moda em vestuário. Conhecem e trabalham com Manuel de Falla e Nijinsky.

A partir de então a notoriedade e o sucesso estão-lhes garantidos.

Gloria Swanson veste casacos desenhados por Sonia Delaunay, Mallet-Stevens usa os seus desenhos para o revestimento de sofás, o seu traço está presente no mobiliário. A cantora Fançoise Hardy surge vestida por Dior com um «desin» de Sonia Delaunay, em 1967 a Matra lança um carro com o seu «décor».

Ornando as roupas que as mulheres trazem, a pintura entra na rua.

O caso do suposto envolvimento dos Delaunay com a espionagem ficou como uma bizarria insólita que os tempos de então proporcionavam.

O mais interessante é que o próprio Almada Negreiros pudesse, afinal, ter tido um eventual papel, ainda que involuntário, no episódio.

Almada tinha pelos Delaunaly uma inflamada admiração. Ilustra-o, no seu estilo excessivo, uma carta sua para Sónia: «amanhã dar-lhe-ei toda a minha alma epiléptica de admiração por vós».

Resulta isso das «Conversas com Sarah Afonso» editadas em 1982 por Maria José Almada Negreiros na Arcádia.

Afonso foi, como se sabe, a mulher do pintor, poeta e pensador José de Almada Negreiros. Maria José é a sua neta.

Segundo Sarah Afonso a prisão dos Delaunay ficara a dever-se involuntariamente a Almada.


K4 quadro azul da autoria de Eduardo Viana

Este havia escrito o conto «K4, quadrado azul».

Até então inédito, o manuscrito havia sido então levado por Amadeu Souza- -Cardoso, o qual se prontifica a fazê-lo imprimir no Porto, onde se encontrariam meios de tipografia mais acessíveis.

Passado o tempo, a impaciência do seu autor começa a não se compadecer com as delongas.

Dispara-lhe então um telegrama «Dá notícias K4 quadrado azul».

Teria sido o alerta dos polícias. «Ao Almada não disseram nada, não sei porquê, mas ao Amadeu foram perguntar o que era aquilo e depois todo o grupo foi interrogado», contaria Sarah a sua neta.»

1940-Lisboa-Exposição do Mundo Português



1940-CNN-merchant & passengers vessels


Portugal-1940: foreign diplomatic representatives


Garland, Laidley and Co: 1941


Founded in 1776. This was a press cut from the Gazeta dos Caminhos de Ferro, January, 1941. I quote from Luísa Pinto, journalist of Portuguese newspaper Público, 13.07.2016: «Foi na Segunda Guerra Mundial que a empresa começou a ganhar força na sua componente de transitário marítimo e ferroviário. Em 1939 Portugal era um país neutro, a Garland Laidley (era assim que se chamava na altura) representou em Portugal os interesses do Ministério da Marinha britânico e do Secretariado Naval Americano, sendo também a representante oficial do ministério britânico do Abastecimento e Agricultura e da secretaria de Estado suíça dos Transportes. Resultado: mais de 200 despachantes a trabalhar para dar seguimento a toda a carga. “Portugal era um hub, recebia cargas de todo o lado”, comenta Peter Dawson.»

August 1942: Sir Ronald Campbell


August 1942: Sir Ronald Campbell, British Ambassador in Portugal visits the holiday's camp "Colónia Intantil", an organisation of the Portguese newspaper "O Século". In the picture he is welcomed by the director João Pereira da Rosa.

Sales Amadeu Ferreira - um português no OSS

Já tinha escrito sobre o português Amadeu Ferreira, agente do OSS, sem saber que o seu nome era Sales Amadeu Ferreira. Encontrei a designação e a foto aqui. O obitário consta aqui: «Amadeu Ferreira - died at Martin Memorial Hospital South. He spent his formative years in Lisbon, Portugal, with his parents, Eugenie and Jaime Ferreira, who pre-deceased him. He served in the Army-OSS during World War II. He graduated from Brown University and began his career with Becton Dickinson and Company as assistant to the Foreign Sales Manager. He was assigned to the company's Mexican and Brazilian subsidiaries and was named Acting Director of the International Division in 1959 and Director in 1960. He retired in 1985 as President of the International Division. Survivors include his wife, Patricia, daughters, Ann F. Kelly and Margaret T. Ferreira; son, Paul J.(Kathleen) Ferreira and grandchildren, Meredith and Tyler Kelly and Megan and Kelly Ferreira. A Memorial service will be held at Peace Presbyterian Church. Arrangements are made by Martin Funeral Home and Crematory, Stuart, Florida. Published in the Stuart, Fl newspaper, Novembver 2, 2005».

Giovanni Corsini

It's a book about Italian prisioners who escaped from Bristish Prisons in Africa. Giovanni Corsini, from an old family of Florence that gave birth to a Pope, [Clemente XII], condottieri and so many others all from the ruling class. Detained in Adis Abeba, later transferred to Kenia.Covered by an alias - Capt. J. A. Dickson - he reached his final destination. 3 500 kms that ended in Mozambique, where, in 1943, he was later released, thanks to the effort of Umberto Campini, Consul and agent of the Italian Secret Service.
After the war, he remained in Mozambique, where, with Franco Tonelli, he founded Italmo, Sociedade Comercial Italo-Moçambicana. In 1979 was published a book a book of his memories, Lunga fuga verso in Sud. I waiting for its arrival. That means that I back on the road again.

Operation Longshanks: Anfora ship salvaged?


I found a newspaper cut from a Kingston newspaper [dated 2nd Jan 1952] concernin the salvaged of a German ship [Drachenfels] and an Italian other [Anfora], sunk at Marmagoa by their crews after a British attack [Operation Longshanks]. See the original here. After this list from Lloyd Triestino I cannot confirm that it was Anfora.

"Mykhailo" Tereshchenko

More about "Mykhailo" Tereshchenko [Ukraine]: «During the World War II Michael Tereshchenko organized a caution crossing of scientists, artists, participants of protest from Monaco to London in order to help them to escape the German occupation. » [see here]. 
Another revelation here from his grandson, Michael: «In 1931 the largest Austrian bank, the Credit-Anstalt, went bankrupt. In seven years grandfather was able to recover 99.5 percent of its wealth. When Hitler began to threaten Austria in 1938, grandfather succeeded in transferring all the bank’s funds to an offshore bank in Monaco a few weeks before the invasion. Hitler considered him his personal enemy. I am very proud that Lenin and Hitler wanted to kill grandfather, but they failed.”».
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From the family page on FB I quote: «A few words about what "offshore" really is, its purposes and who was the Founding Father. Mikhail Tereshchenko was the one who saved and restored the entire capital of the Creditanstalt bank. At that time, the bank could get into the hands of Adolf Hitler. Tereshchenko thought out a new structure, that would manage all the foreign assets of the Austrian bank, but officially located in a neutral country, beyond the reach of the German authorities. Michael shared these ideas with his colleagues and managers, who were mainly British banks representatives. They approved his proposal as one. Michael ruled out Switzerland: as it was too close to Germany and chose Monaco - he often went there and has established friendly relations with Louis II, Prince of Monaco. Michael proposed the creation of the bank at Monte Carlo - this will be the prototype of all future offshore banks, which after a few decades will form the basis of Monaco's financial stability. On March 11, 1938 in the capital of the former Austro-Hungarian Empire, unrests flared up again and the Nazi fifth column has already called Germany for help. On March 12, 1938, Mikhail left Austria, carrying all documents in a travel bag, which accommodated all the foreign assets of the bank Credit-Anstalt in the Principality of Monaco. Upon arrival in Monaco, Michael learned about Anschluss and how easily Hitler grasped in a few hours the Austrian capital. But Hitler was not able to reach the huge foreign assets of Creditanstalt bank, which were already controlled by the first in the history offshore bank - newly created "Société Continental de Gestion", where the first president was - Mikhail Tereshchenko. After the operation, the British bankers ordered to put in all international books on Economics - the project and the term#offshore, created by Mikhail Tereshchenko.
Step by step I am approaching the reason for the contact between him and John Beevor from SOE.»
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Picture above: coat of arms of the family [1872] and a photograph of MT.

BBC: Fernando Pessa the voice of the Portuguese Service


Fernando Pessa was the voice at BBC's Portuguese Service during WW2. Invited in 1938 to work there, while he was serving our national broadscast station [Emissora Nacional] he obtain full agreement of the Director, Capt. Henrique Galvão. He worked in London, at The Broadcasting House and at and Evesham [see here], for eight and half years. See this documentary [in Portuguese, after 12:37 till 29:05].

BBC - Portuguese desk


I mentioned here BBC Portuguese News during WW2. Today I find this other pictures of the room.

Mikhail Ivanovich Tereshchenko


At last I found him! Mikhail Ivanovich Tereshchenko (Russian: Михаи́л Ива́нович Тере́щенко), Finance Minister of the Kerenski Russian Provisional Government  [1886-1956]. Lawyer, art collector, publisher, businessman. Mason [lodge La Patite Ourse, St. Petersburgh].
John Grosvenor Beevor, SOE head in Portugal, disclose he was his first contact in this country. But I could not find any trace at all about him, but only references to his business activities in France, Monaco and Madagascar after the Bolshevik Revolution [1917].
Tonight progress was made. He worked also in Mozambique, and yes, in Lisbon during WW2, undercovered. 
Tereshchenko, visited Beevor in several occasions, calling for that a lady who was providing Red Cross passports as a intermediate. He had a house in Estoril, which was owned by a German and reported the relevant fact that led to the discovered by Section V of MI6 of one of the top German agents who spied for naval intelligence, mainly vessels routes.
He spoke nine idioms  fluently [alias tirtheen], including Portuguese. 
Aleksandr Yakovlevich Golovin painted him, as can be seen here:


Marguerite (Rita) Winsor

[After my sources]

Marguerite (Rita) Winsor [not Windsor] worked in Bletchley Park, with the codebreakers, later in the forties in Lisbon, at the British Embassy, posing as typist, accordingly with the official list of personnel transmitted to the Portuguese Foreign Office.
She was an agent of MI6 as a Secretary. She provided visas for Ian Fleming, Somerseth Maugham and Malcolm Muggeridge, all from the Secret Service; and Alexander Korda, film director
In Otto John escape to Portugal, after failed attempt to kill Adolph Hitler, she had a relevant role in exfiltrating him. John describe it with fulll detail in his book of memoirs.
She was a friend of Klop Ustinov, also an MI6 agent.
After the war she established a travel agency [see The Times, 6 May 1957]. Nadia Benois, Klop's wife designed a poster for the wall of the bureau
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I am conducting a research about her role in the Secret Service during the war. After a close friend of her, she had a house in Algarve (Vila Nova de Cacela, Casa Marguerite, n.º 4). She died there, and funeral was in Sufolfk (UK).

Desmond Bristow letter


Desmond Arthur Bristow [Mi6 agent in Spain] wrote me this letter, dated 24.09.1998. I found his book A Game of Moles, signed, at Foyles. Strange event. He told me he was never there autographing books. Mistery surrounding spies...

Kenneth Benton

Born in Wolverhampton (UK) in 1909, recruited to Mi6 in 1937; working on PCO in Vienna, later in Riga (Latvia, acting as Vice-Consul, from 1938 till 1940 (occupation of the Baltic States by USSR). 
From 1941 to 1944 served in Madrid as head of counter espionage [Section V of Mi6, posing as 3d Secretary].  There he reported technically to Hamilton Stokes, Head of the Madrid SIS Station].
He was alowed to read ISOS traffic.
After his work, Treasure, Artist, Tricycle and Garbo were sent to England to work with XX Committee. 
Having worked under "Kim" Philby direction, the defection of this one to Moscow has "blown" his cover. He continued to serve Mi6 in Rome [1944-1948, 2nd and later 1st Secretary, 1950-1953], Spain (1953-1956), Peru and Brazil.
Married to Peggien Pollock Lambert.
Retired in 1968. Died in 1999.
He wrote twelve fiction books and was President of the Crime Writers Association.
Twenty-fourth Level1969WM Collins
Sole Agent1970WM Collins
Spy in Chancery1972WM Collins
Craig and the Jaguar1973Macmillan
Craig and the Tunisian Tangle1974Macmillan
Death on the Appian Way1974Chatto & Windus
Craig and the Midas Touch1975Macmillan
The Red Hen Conspiracy1982Macmillan
A Single Monstrous Act1982Macmillan
Time for Murder1985Robert Hale
Ward of Caesar1985Robert Hale
Greek Fire1985Robert Hale
 I wrote about him here.

Traição a Salazar

Escrevi este livro. Chegou-me agora conhecimento deste trailer sobre o mesmo. Gratidão ao seu autor.

Ian Fleming, by Admiral Godfrey


Ian Lancaster Fleming, creator of 007, worked as a Naval Intelligence Officer at the NID, the Naval Department directed by Admiral John Henry Godfrey. 
Both were in Lisbon, in 1941, traveling to America. 
Issued in 10th Dec. 1942 this document honours Commander (Sp) R.N.V.R., Fleming for the work he has done in the Admiralty, emphasizing that «zeal, ability, and judgment are together exceptional».