Secret War in Portugal [1939-1945]
For SOE [British Special Operation Executive] 24 Land was the code name for Portugal

Polish brave women: Krystyna Skarbek


A book about Krystyna Skarbek, Polish agent at Station D (later SOE) has been published and reviewed here. «In 1939, according to British Secret Service records, "a flaming Polish patriot…expert skier and great adventuress… absolutely fearless" submitted a courageous plan to the British. She was to ski into Nazi-occupied Poland from Hungary, over the Tatra mountain range dividing the two countries. Poland had fallen to the Germans, and the woman proposed to take British propaganda into Warsaw to bolster the Polish spirit of resistance. She would then ski back out with secret information about the disposition of German SS and Wermacht units around the capital.». More: «Naturalised as a Briton under this name, her wartime exploits in occupied Poland, France and eastern Europe were to see her become one of the most famous female Allied special agents of the war.»

Rudolf Hess e Lisboa...



Quando o delfim de Adolph Hitler voou para Inglaterra, saindo secretamente da Alemanha, aos comandos do seu avião, fazia uma viagem qua havia sido preparada a partir de Lisboa. No meio de tudo isso seduções ocutistas e manobras de aliciamento haviam tido o seu papel.
Pelas 23:00 do dia 10 de Maio de 1941, Rudolf Hess, o delfim de Adolph Hitler, pilotando sozinho um avião Messerschmitt, com a matrícula "Mel 110" sobrevoou a Escócia e lançou-se de pára-quedas naquela região. 
Ao cair, partiu uma perna e foi aprisionado. Os seus captores nem queriam acreditar no que tinham pela frente.
Naquele momento Londres era severamente bombardeada.
Retirado do centro para um refúgio clandestino, Winston Churchill assistia à projecção privada de um dos filmes dos irmãos Marx. Quando lhe contaram o que acabava de suceder, o primeiro-ministro britânico, bem-humorado, replicou "ora aí está uma boa piada para os irmãos Marx". O acontecimento parecia, de facto, burlesco.
A razão da enigmática viagem de Hess tem alimentado várias teorias.
O facto de Hess pertencer à ordem iniciática de Thule de que fieram parte Anton Drexler, o primeiro presidente do Partido nacional socialista alemão, Dietrich Eckart, poeta e mentor de Adolph Hitler e Alfred Rosenberg. Nesta linha, Richard Deacon afirma mesmo que Hess haverá consultado, antes de fazer a sua viagem, dois conhecidos astrólogos, Ernst Schulte-Strathaus e Maria Nagengast.
Berlim, logo após o evento, espalhou que ele teria agido, porém, em estado de loucura.
A verdade é que o próprio José Estaline estaria convencido de que haveria uma combinação preparada entre os ingleses e os alemães, para um ataque concertado à União Soviética e a viagem de Hess visaria precisamente a concretização de tal esquema.
Ainda em 1990, apoiando-se num relatório de Harold Russell («Kim») Philby, o KGB patrocinava esta tese junto de meios académicos, fazendo-os convencer que a viagem de Hess resultara de uma combinação anglo-germânica.
Caricato, a propósito, é que - segundo a revelação de Pavel Sudoplatov, o homem das operações especiais soviéticas - o relatório em causa estaria classificado nos serviços do NKVD sob o nome «Bertha Negra», por ser esse o nome pelo qual Hess seria conhecido em meios homosexuais de Munique na década de 20.
Uma coisa parece certa. Hess voou com o declarado objectivo o de avistar-se com um nobre escocês, o conservador Duque de Hamilton, tal como ele um exímio aviador. Alegou que via nesse encontro uma forma de negociar uma paz separada entre a Alemanha nazi e a Grã-Bretanha.
O MI5 sabia, porém, que o encontro entre os dois vinha a ser preparado desde há muito através de correspondência entre o próprio Duque e Albrecht Haushofer, seu amigo desde 1936, e representante de Hess, a quem devia o título de “ariano honorário”. 
O alemão era filho do major-general Karl Haushofer, teórico de geopolítica, doutrina então assimilada pelo III Reich alemão como instrumento de legitimação da sua procura imperialista do "espaço vital". Professor de Geografia Política e homem de letras, Albrecht Haushofer viria a integrar-se na resistência alemã a Hitler e seria preso na penitenciária de Moabit, tendo sido ali morto a tiro em 1945 já com Berlim a ser ocupada pelas tropas soviéticas.
Para o efeito de organizar uma entrevista entre Hess e Hamilton, Albrecht escrevera em 23 de Setembro de 1940 uma carta a este que a censura postal britânica interceptou. 
O envelope mencionava como remetente "Dr. A. H." e indicava como morada do expedidor "Minero Silvicola, Lda., Rua do Cais de Santarém, 32, 1º", junto à Casa dos Bicos. Na carta o seu autor assinara "A. via Mrs. Roberts". A senhora existia. Tratava-se de Mary Violet Roberts, enteada de Lord Roberts, que tinha sido Vice-Rei da Índia britânica, viúva de Ainslie Roberts.
A morada funcionava como um endereço de conveniência ao serviço de uma organização secreta alemã a "Auslandorganisation", uma entidade criada em Hamburgo em 1931 pelo Gauleiter Ernst-Heinrich Bohle, um alemão educado na África do Sul, e que acabaria por centralizar o apoio dos alemães no exterior em prol da nova ordem nacional-socialista.
A "Minero Silvícola, Limitada" era uma firma comercial fundada em 1938 por Louis Manfred Stiegler, Volkmar Fritzsche, este residente desde 1933 no Dafundo e também na Rua Ivens em Lisboa e Theodor Vollmer, residente desde 1934 na Rua Luciano Cordeiro em Lisboa. Esteve em funcionamento até 1962.
Para o encontro Hess/Hamilton Lisboa funcionou como um centro nevrálgico.
A 10 de Setembro de 1940 Hess escrevia a Albrecht, através do pai deste, uma carta preparando através do endereço de Lisboa um canal não oficial de comunicação. Nessa missiva Mrs. Roberts é tratada, familiarmente, como «a velha senhora»
A 23 de Setembro Albrecht, usando o dito canal de comunicação, entrava em contacto com o Duque, a quem tratava afectuosamente por «Douglo», sugerindo que se encontrassem algures na Europa, porventura em Portugal.
O encontro em Lisboa era possível. Nesse ano, o regime de Salazar comemorava com pompa e circunstância os “centenários”. Para o evento viria de Londres a Lisboa, em representação do Rei Jorge VI, um duque, o de Kent.
Hamilton nunca chegaria a viajar até Lisboa para se encontrar com Rudolf Hess. Este cair-lhe-ia na Escócia, vindo do céu.
Terminada a guerra, Hess, julgado em Nuremberga, escapou à pena de morte - contra o voto do juiz soviético - mas foi internado em Spandau, e ali mantido prisioneiro, sob insistência de Moscovo, mesmo quando se multiplicavam as iniciativas inglesas e americanas para o libertar.
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É facto que não só Hess - como aliás outros dirigentes nazis, nomeadamente Himmler - estava enraizado em práticas astrológicas e ocultistas.
E também é certo que, sabendo disso, os serviços secretos ingleses exploraram esta fixação para induzirem contra-informação, e deste modo, alimentarem a sua «guerra negra» contra Hitler, estrurando mesmo no departamento de guerra, uma unidade operacional astrológica, sob a direcção do correspondente do jornal Daily Express, Sefton Delmer, se intitulava melifluamente «Psychological Research Bureu».
Um dos mais distintos agentes de tal serviço astrológico foi o húngaro Louis De Wohl - judeu refugiado do regime nazi. A habilidade de De Wohl levou-o mesmo a elaborar edições falsificadas da prestigiada revista astrológica alemã «Der Zenith», difundido nela previsões de dias fastos e nefastos para operações militares, assim tentando induzir comportamentos militares aos alemães mais convenientes para a estratégia aliada.
Como anotou então Joseph Gobbels no seu diário: «os videntes tão amados de Hess, para já, ficam guardados à chave».
Quem se ofereceu, aliás, para interrogar Hess quando este, ferido, foi capturado? Aleister Crowley, mago, vidente e cabalista, que se encontrara em Lisboa com Fernando Pessoa. Ofereceu-se a Ian Fleming, o criador de 007, que à data servia nos serviços secretos da Marinha, sobre cuja vertente esotérica escrevi, aliás, um livro. A viagem planeada a partir de Lisboa é, pois, um mistério ainda por sondar.

Traição a Salazar - apresentações