O Mundo das Sombras is incorporated in this blog

In order to organize all the materials of my research I decided today to incorporate in this blog posts previously published in another blog I created in the year 2005, which covers the same topic, but written in Portuguese, named O Mundo das Sombras. See it here. From now on the posts will be written in both languages.

16 May 2015

José Ricardo Pereira Cabral




As pesquisas fazem-nos encontrar o que não esperamos, desta feita uma fotografia e uma notícia necrológica do coronel José Ricardo Pereira Cabral. Foi Governador-Geral de Moçambique e subsequentemente Governador-Geral do Estado Português da Índia. Enquanto no desempenho desta última missão teve papel relevante, na defesa dos interesses britânicos, num incidente, ocorrido em 1943 no porto de Mormugão, e que melhor descrevi no meu livro "O Espião Alemão em Goa". Faltavam-me então alguns dados que agora alcanço na totalidade, pois colho aqui estes elementos sobre a sua biografia que explicam agora cabalmente o perfil da sua actuação quando os navios Ehrenfels, Braunfels, Drachenfels, e Anfora, estacionados naquele porto, atacados que haviam sido por um comando britânico do SOE, oriundo de Calcutta, foram incendiados e afundados por ordem dos respectivos comandantes. Nasceu daí um gravíssimo incidente diplomático, tendo estado em causa a própria aliança com a Inglaterra. Cabral, um angófilo de gema, tudo fez para que a operação em causa não comprometesse o Governo de Sua Majestade:


«José Cabral nasceu em Lamego a 10 de Julho de 1879. Entre 1889 e 1895 frequentou o Real Colégio Militar, sendo graduado naquele último ano no posto de primeiro-sargento cadete. Ingressou seguidamente na Escola do Exército, onde concluiu o curso de oficial da arma de Cavalaria. [Com 27 anos de idade], em 1906 foi enviado para Moçambique, iniciando nos anos imediatos uma ligação à administração colonial que se manteria durante toda a sua carreira. Foi governador do Distrito de Inhambane (1910-1913), e ainda governador do Distrito de Moçambique (1916-1918 e 1919-1920), tendo nessas funções participado nas operações militares contra as forças alemãs da África Oriental Alemã no contexto da Primeira Guerra Mundial. Em 1926 foi nomeado Governador-Geral de Moçambique, cargo que exerceu até 1938. Neste último ano foi nomeado Governador-Geral do Estado da Índia, cargo que exerceu até 1945.
Recebeu as seguintes condecorações: Comendador da Ordem Militar de Avis (24 de Novembro de 1920); Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito (6 de Fevereiro de 1922), com Palma; Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo (21 de Maio de 1929); Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar; Medalha de Ouro Comemorativa das Campanhas do Exército Português, com a Legenda 1914-1918; e Grã-Cruz da Ordem do Império Colonial (7 de Setembro de 1935). Foi ainda distinguido com as seguintes condecorações estrangeiras: Comendador da Ordem de São Miguel e São Jorge, concedida pelo rei Jorge V do Reino Unido (1919); Grande-Oficial da Ordem da Estrela de Anjouan de França, concedida pelo presidente da República Francesa (5 de Setembro de 1930; e Cavaleiro da Ordem do Império Britânico, concedida pelo rei Jorge VI do Reino Unido (1940), com direito ao uso do título de Sir.»


12 May 2015

John Beevor: segredos em família?



Ao falar em Oeiras a convite da associação cultural "Espaço e Memória" sobre o meu livro Traição a Salazar lembrei que Irene Pimentel afirmou que Anthony Beevor não saberia que seu pai, John Beevor, o organizador da rede clandestina do SOE em Portugal estaria implicado em tal operação. Seria possível, depois nomeadamente de Neville Wylie ter escrito em 2001 no Journal of Contemporary History o artigo An Amateur Learn his Job, onde essa ligação é profusamente explicitada? [ver aqui]

03 May 2015

Um hidroavião-gigante: a rota de Lisboa

No seu número de Janeiro de 1938 a "Revista do Ar" do Aeroclube de Portugal noticiava a construção do que seria o gigantesco hidroavião que asseguraria durante a 2ª Guerra a ligação New York/Açores/Lisboa, amarando em Cabo Ruivo, no Rio Tejo. Hoje nem o local está reconhecível.


01 May 2015

Bleck about Howard's death


Carlos Eduardo Bleck, air pilot, says in his book of memoirs [page 79] that he was the last person to shake hands with the actor Leslie Howard before Ibis of KLM/BOAC left for its last travel from Lisbon to Bristol because he was sunk by a Luftwaffe squadron over Biscaya's bay, as I wrote it in a booklet about the event.
Is the book Bleck refuses the idea that the attack was due to the wrong suspecting that Winston Churchill was aboard. The travel would be too dangerous for a prime minister, because the plain could not climb too high in case of an encounter with the Germans, was a slow one, a mere commercial line without RAF protection.
But he add a fact: the week before Captain Parmentier told him that another attack occurred to an aircraft of the "Lisbon Line", which arrived at Portela Airport in Lisbon with severe damages in the wing and fuselage.
So, if it was not the first time, there is reason enough to conclude there was not a specific motive for this action

Carlos Bleck: luz sobre a morte de Leslie Howard


Quando escrevi neste blog por mais de uma vez [ver aqui] sobre a morte do actor Leslie Howard, na sequência de um livro que redigi em 2006, não desisti de voltar ao assunto, sempre receando que, num qualquer destes dias, outro se decidisse a fazê-lo e eu amortecesse em entusiasmo por pensar estupidamente - como sucede nestes casos - que agora já não valeria a pena. 
Sucede que ainda ninguém voltou ao tema e eu continuo a alimentar dúvidas sobre o realmente se passou naquele fatídico dia com treze passageiros a bordo do avião da KLM ao serviço da BOAC que, depois de ter saído de Lisboa rumo a Bristol seria atacado por uma esquadrilha da Luftwaffe ao sobrevoar o golfo da Biscaia.
O que menos esperava é ter cruzado com aquele que terá sido a última pessoa «a apertar-lhe a mão» no Aeroporto da Portela antes de a aeronave "Ibis" ter partido rumo à morte. Sucedeu ontem, porque aproveitei umas breves horas da minha profissão para ir a um arquivo em busca de material para um outro livro que anda há muito atrasado e o meu tempo a escoar-se. Tiveram a gentileza de me emprestar a obra rara, editada em 1962, do aviador Carlos Eduardo Bleck, denominada Rumo à Índia, crónica de vida e memória da sua viagem aérea àquelas remotas paragens efectuada em 1934, remate de coragem e tenacidade, heroísmo e aventura.
E ali leio (página 79) o seu desmentido quanto a algumas das teses especulativas que teriam levado ao ataque alemão à linha de Lisboa, sobretudo as que partem do pressuposto de que aquele avião especificamente teria sido o alvo, nomeadamente por estarem os alemães convencidos de que ali viajaria também o próprio Churchill, regressado do Norte de África via Lisboa, de onde o voo se iniciara.
«Imprudência, condenável a todos os títulos» assim lhe chama Bleck ao que pudesse ter sido o uso pelo primeiro-ministro britânico de uma tal rota para regresso a casa, «rota praticamente dominada pela Aviação Militar alemã estacionada em território francês» e «em pleno dia e a baixa altitude, num avião comercial, lento, e sem quaisquer meios ou possibilidades de defesa».
Mas o que há a somar a este argumento lógico é um facto, a que aludi também no que escrevi, o ter havido já situações anteriores de ataque naquela linha que estaria, supostamente, defendida por um "gentlemen agreement" de protecção. 
Cito na íntegra o excerto alusivo: «E também porque, contrariamente ao que esses "historiadores" relatam, não havia sido este o primeiro ataque verificado na rota Inglaterra-Lisboa a aviões comerciais, porquanto, o máximo de uma semana antes da perda do avião de Teppas, havia sido  "interceptado" sobre a Biscaia um outro DC-3, este comandado pelo Capitão Parmentier, quando voava da Inglaterra para Portugal e depois aterrava na Portela com a ponta da asa esquerda despedaçada e os planos e fuselagem esburacados por projécteis, e de cujo ataque, segundo me contou Paramantier à chegada, havia escapado devido a ter surgido uma providencial formação espessa de nuvens para a qual apontou, ziguezagueando, e, entrando  nela, fez perder o "contacto" com os atacantes».
Eis, pois, como, o acaso traz mais luz do que o sistema.