Secret War in Portugal [1939-1945]
For SOE [British Special Operation Executive] 24 Land was the code name for Portugal

"Klop" Ustinov's in Lisbon


I wrote here [my Portuguese blog on  secret war in Portugal, 1939-1945] about Peter Ustinov's father, Ivan [Joan, alias "Klop"] biography written by Peter Day. 
Compared with what I knew from other sources, the author goes further claiming that, received in Lisbon, in February 1944, by Desmond ("Derry") Bristow [Mi6] "Klop" [Mi5 codenamed U-35] was sent here to meet not some German circles conspiring to assassinate Adolph Hitler, but specifically Otto John [Luftahansa lawyer in Madrid that was later exfiltrated to Gibraltar due to the combined efforts of PVDE's - Portuguese secret police - and Rita Winsor [Mi6 in Lisbon, posing as typist in the British Embassy].
Moreover he emphasizes that Ustinov was acting under the authority of Harold Russel "Kim" Philby [Section V of Mi6, Portuguese desk] a long term soviet mle in the British intelligence community. That I knew already from two different sources: Rufina, Philby's wife after he defeated to the Soviet Union, after the book she wrote Kim Philby Private Life and Genrikh Borovik, a Tass journalist wth KGB connections The Philby Files, published the first in 1999 the second 1994.
The mission of "Klop" served the strategic interests of URSS concerning the non-support of these who intended to kill Hitler. The coup failed and Hitler's life was saved. And war contnued...

"Klop" alias Jona Ustinov em Lisboa


A maioria das pessoas conhece o actor de cinema Peter Ustinov, que se popularizaria na representação da personagem Hercule Poirot, a magistral figura de detective privado belga inventado por Agatha Christie; mas já a pessoa de seu pai é muitíssimo menos conhecida, nomeadamente a ligação deste aos serviços secretos britânicos.
A primeira vez que li uma referência a "Klop" von Ustinov foi no livro de memórias de Desmond BristowThe Game of Moles. Agente do Mi6 em Lisboa durante a Segunda Guerra, encontrei-me com ele na sua residência de reformado, em Periana, Malaga, Espanha.
Fiz a longa viagem propositadamente, em 1993, depois de ter lido uma carta sua ao director do jornal britânico Daily Telegraph sobre o relevante papel do coronel Dudley-Clark ao serviço da contra-espionagem anti-nazi em Madrid e sendo-me assim possível localizar o local exacto da sua permanência [ao lado publico uma foto desse encontro, tirada na praia, perto de Torre de Molinos].
Recebeu-me amavelmente e obsequiou-me com uma refeição, na companhia de sua mulher Betty. 
Falámos detalhadamente. O inesperado haveria de surgir depois, quando encontrei na Foyle's, em Londres, na secção de História militar, um exemplar daquele seu livro, agora em edição "hardcover", mas autografado. Inesperado, porque, garantiu-me, quando lhe telefonei directamente da livraria, nunca estivera naquele local a autografar livros, nem ali se vendiam livros usados. Quando nos encontrámos, dedicou-mo, com a alusão irónica, bem ao seu estilo «spies like us». Nesse livro, Bristow detalha o encontro em Lisboa com "Klop" em meados de Fevereiro de 1944, mas o essencial fica por desvendar.
"Klop", de seu nome Jona [Ivan Platonovich em russo], era originário da aristocracia russa e desempenhou naquele período funções de agente do Mi5, o serviço de segurança britânico, sob o nome de código U-35. Deslocou-se a Lisboa para uma missão que "Derry" - o peti nom de Desmond - desconhecia, pois apenas lhe foi revelado pelo seu chefe Charles de Salis que lhe deveria dar protecção, nomeadamente ante qualquer investida da polícia política portuguesa, a PVDE * reportando o que apurasse ao ministro Henry Hopkinson.
Charles de Salis, com quem me encontrei também na sua residência no Sul de Inglaterra [ao lado uma foto sua], era a antena local do Mi6, colocado na Embaixada sob a função de funcionário da secção de passaportes, o Passport Control Office, a cobertura oficial para quem desempenhava aquele tipo de missão. Terminaria a sua carreira ao serviço do Foreign Office no Brasil.
O nome Ustinov ficaria, porém, como mera reminiscência porque não havia detalhes sobre a natureza do seu trabalho nem sobre a profundidade das suas ligações.
Ora é hoje claro que a viagem de Ustinov pai a Lisboa se ficou a dever a instruções de Harol Russel "Kim" Philby, o responsável na Secção V do Mi6 - serviços de contra-espionagem - pelo desk ibérico e uma "toupeira" soviética desde os tempos em que estudara na Universidade de Cambridge, um dos membros do "grupo dos cinco" que trabalharam na comunidade de intelligence britânica clandestinamente ao serviço da URSS.
Isso já me tinha sido dado a perceber ao ler o livro escrito em 1999 por Rufina Philby - a russa com quem fez vida comum após a sua fuga para Moscovo - intitulado The Private Life of Kim Philby - em que esta relata uma carta por ele escrita, a 4 de Novembro de 1979, a um seu "discípulo" britânico, designado como "Michael", de cuja preparação cuidava, a instâncias do KGB. Nesse carta, Philby admite o papel instrumental que teve na missão de "Klop" a Portugal «onde havia um grupo de alemães que pensavam sobretudo em salvar a sua pele".
Só que, visto sob esse ângulo, ainda estava muito por dizer: o objectivo da deslocação teria de ser necessariamente mais específico.
Seria em 1994, ao ter lido o livro do jornalista da agência soviética Tass Genrikh Borovik - The Philby Files que se me revelou a extraordinária importância dessa missão em Lisboa.
Citando um telegrama secreto [Top Secret N15, inc N158/148 7.01.44], Borovik revela que tal fora aprovado em Dezembro de 1943 pelo Foreign Office britânico com  instruções específicas no sentido do agente U-35 não se comprometer em quaisquer discussões sobre uma possível paz com a Alemanha e focar-se apenas em tarefas de recolha de informação. Sucede que o ambiente de uma possível paz negociada entre a Grã-Bretanha e a Alemanha já circulavam. 
Eis, porém, que acaba de ser publicada, em segunda edição, um biografia de "Klop" Ustinov, da autoria do jornalista Peter Day, de que The Telegraph publica uma recensão [ver aqui], a qual abre novas pistas para esse tema, se não definitivas, pelo menos interessantes.
O encontro entre Bristow e Ustinov deu-se no Palace Hotel, aos Restauradores, um local habitual de "rendez-vous" para agentes ao serviço da guerra secreta. Justificando o perfil da sua missão, este, mais preciso, deu conta de que viera para se encontrar com alguns amigos alemães que «estavam envolvidos numa conspiração para assassinar Adolph Hitler»; o seu interlocutor confia, porém, às suas memórias, que lhe respondera não querer saber a esse respeito mais do que o necessário. Pouco crível, mas nem a mim me deu conta de mais pormenores quando da nossa entrevista no Sul de Espanha.
Um episódio anedótico haveria de assinalar o encontro entre os dois homens dos serviços secretos ingleses: envergando um vistoso casaco de astrakan, fumando cigarros Sobranie - tabaco negro russo com a ponta dourada que ainda comprei nos idos anos da minha juventude na Caravela ao Rossio - ambos com nomes a denotar origem russa, foram rapidamente tomados por um funcionário da polícia portuguesa como agentes soviéticos ao serviço do então temido comunismo internacional e conduzidos, sob essa suspeita à esquadra. Libertos, seriam, no entanto seguidos, com pouca discrição, por quatros agentes da PVDE que se faziam conduzir num Citroën preto, quando no dia seguinte se deslocaram ao Estoril, onde "Klop", conseguindo, com a colaboração de Desmond, iludir a vigilância policial, teve um encontro no Tamariz com o seu enigmático interlocutor, cuja identidade ainda hoje permanece misteriosa.
Quem seria ele? Peter Day, especulativamente, aventa para a possibilidade de ter sido Otto John, advogado da Lufthansa [publico ao lado uma fotografia sua], envolvido na organização que tentara a morte do Führer através de uma bomba colocada sob a mesa de uma sala de reuniões quando de um encontro em que participara Claus Schenck von Stauffenberg
A toda essa complexa história voltarei, até porque já estudei parte do material em que ela se consubstancia. Sobre isso, o papel que na exfiltração de Otto John teve a PVDE, através de Rita Winsor, falei com Charles de Salis. Ante a minha perplexidade - a polícia portuguesa a proteger um conspirador contra Hitler - adiantou-me uma explicação. Não me convenceu. Mas onde está a linha separadora, neste mundo de sombras, entre o verdadeiro e o plausível? Esta a questão.

* No livro de memórias Bristow designa a PVDE [Polícia de Vigilância e Defesa do Estado] como PIDE, nome que só adquiriu em 1945. Peter Day faz o mesmo.


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I continue to quote from Sir Walford Selby memoirs, this time concerning negotiations with Portugal about Portuguese attitude in case of war.The book contains, as an appendix, a lecture given by the author, in April, 8, 1941 addressing to the Royal Empire Society, entitled Portugal - her policy and reactions to the war.

-» 1938, Munich crisis: «I was consulted by the Foreign Office on the drafting of a message to be sent to our ally Portugal» [109], stating «the desire of our Government would be that Portugal should remain neutral», message that was sent by Lord Halifax to Dr. Salazar.

-» Admiralty [Admiral Godfrey] point of you was instead that, although the matter had not been discussed by the Committee of Imperial Defence, Portugal, despite the Alliance in case of war should not be called to be «on our side», but they will count «on her "benevolent" neutrality» [109]; «in the succeeding months many misunderstandings were to arise between us and Portugal as regards the interpretation of Portuguese neutrality» [110]; «this particularly applied to our blockade measures<«, because the Portuguese considered them «an infringement not only of the Portuguese neutrality but of Portuguese sovereignty as well» [111] and Mr. King's, Commercial Secretary, after consultations in London, negotiations with Conde de Tovar, head of the Economic Section of the Portuguese Foreign Office «came to a deadlock» [111].

-» A personal message from Lord Halifax was sent to Dr. Salazar; he «returned a courteous but firm reply» [...] re-emphasised his goodwill, at the same time he insisted on the right of Portugal to interpret her neutrality as seemed best to her in the interested of preservation of her own security. On this point Dr. Salazar made clear that he must reserve his complement liberty of action» [111-112].

... to be continued...

Books of my shelves-Walford Selby-1


I wrote here about him. Sir Walford Harmood Montague Selby, British Ambassador in Portugal (1937-1940). In 1953 his memoirs, under the title Diplomatic Twilight, were published by John Murray. Pages 103-130 are about his mission in Lisbon. This Saturday with the book in my hands, I start quoting some of its relevant material.

-» «On the submission of Lord Halifax», HM, the King conferred on General Carmona «the universally respected Head of the Portuguese Sate» the G.C.B. «correspondingly deep gratification was felt in the British communities in Portugal» [104]

-» «I exercised strong pressure upon Dr. Salazar to prevent him placing his armaments contracts in German and Italy» [104], and «by the summer of the year 1939 [...] we had made no progress in our negotiations with Dr. Salazar» [105]

-» «In the commercial field there had been no improvement of any kind to assist us» [105] so Sir Alexander Roger, of the Anglo-Portuguese Telephone Company, «appeared in Lisbon in the spring and had submitted to Dr. Salazar a Memorandum which he affirmed would have the support of the Federation of British Industries», that «seemed to contemplate some kind of organisation of our commerce in England, which would provide us with resources to enable us to compete with the financial pressure of Germany» [105]

-» «Lord Stonehaven and Lord Davidson, who had visited me in Portugal, told me that they had made strong representations to Lord Halifax on this very point of German penetration» [105; Lord Stonehaven was Chairman of the Benguela Railway]

-» «I drafted three dispatches to take home with me covering the whole field of our relations with Portugal» [105], which were approved by Lord Halifax but implied seven weeks of discussions with the concerned departments of the British Government, evolving Mr. Hore-Belisha, Minister of War, Admiral Phillips, of the Admiralty, Sir Kingsley Wood, Secretary for Air, and at last Sir Alexanderr Cadogan [106-108];

-» As a result those instructions «seemed to satisfy Dr. Salazar» and «shorthly afterwards he awarded to Great Britain the valuable three million contract for the construction of the defences of Lisbon, and from that moment onward he exercised all his good offices in Madrid to assist the British Government in their relations with the Spanish Government» [108]

... to be continued....